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HolocaustoHá algum tempo atrás, andei lendo na wikipédia anglófila três artigos relativamente interessantes: 'Denial of the Holodomor' 

(Negação do Holodomor), 'Holocaust Denialism' (Negação do Holocausto) e 'Denial of the Armenian Genocide' (Negação do Genocídio Armênio). Profundamente exasperado e inquieto, uma pergunta me passou pela cabeça, como passaria pela cabeça de qualquer ser humano decente: como indivíduos, ou grupos de indivíduos podem vir a negar, ou não reconhecer a existência de fatos históricos muito bem documentados? É evidente que as razões para isso, além de muito complexas, são bem variadas, mas boa parte delas são politicamente
motivadas, e também carregadas de conceitos ideológicos pérfidos e egoístas, que na grande maioria das vezes esconde as intenções aviltantes de seus defensores. Enquanto a Alemanha, ao menos em parte, se "reconciliou", por assim dizer, com o seu passado nazista, e não apenas assume o Holocausto, como penaliza quem o nega, diversas nações e estados responsáveis por genocídios e campanhas de limpeza étnica não adotam essa postura. Na Turquia, por exemplo, é proibido assumir o genocídio armênio, e até hoje os dirigentes turcos se recusam terminantemente a assumir a responsabilidade pela questão. Tendo dizimado tanto armênios quanto assírios, entre o final do século dezenove, e o início do século vinte, o Império Turco Otomano via as populações cristãs em seu território como uma ameaça à sua identidade nacional primariamente muçulmana, e, após a perda da Grécia, que conquistou sua soberania após a guerra grega de independência, em 1821 e 1822, o Império Turco Otomano, temendo despedaçar-se, fragmentar-se e deixar de existir, começou a ver como uma ameaça à sua existência e à sua identidade todos os seus cidadãos não-islâmicos, que, além de não serem turcos, normalmente eram classificados como cidadãos de segunda classe.
Assim, quando começaram os massacres hamidianos, ocorridos de 1894 a 1896, a eventual erradicação de povos cristãos em território otomano tornou-se iminente. Estima-se que cerca de um milhão e meio de armênios tenham sido dizimados, assim como quatrocentos mil assírios. O genocídio assírio, tendo ocorrido concomitantemente, até hoje nunca recebeu a atenção e o reconhecimento que lhe são devidos, e, à exceção dos trabalhos de Hannibal Travis e David Gaunt, que tratam-no como um evento separado, ele é simplesmente estudado dentro do contexto do amplamente maior genocídio armênio, tornando-se um caso clássico de silencioso descaso, na negra e hedionda mancha das tragédias humanas. Mas uma coisa impossível é entender o que os negacionistas pensam ganhar com isso. Além de tais teorias negatórias serem absurdas e implausíveis, nenhuma delas está de fato alicerçada em argumentos convincentes. Aqueles que negam o Holocausto afirmam que campos de concentração nunca existiram no Terceiro Reich, e que os judeus eram apenas deportados, e não exterminados. É repulsiva, mas verdadeira, a constatação de que todosaqueles que defendem estes argumentos absurdos vivam em uma redoma de vidro, fabricando teorias e ilusões que para nada servem, a não ser para embelezar um diminuto mundinho pessoal míope e fantasmagórico, que se recusa a aceitar uma realidade alicerçada e construída sobre evidências históricas factuais muito bem comprovadas. Eu realmente nunca entendi, e na verdade nem quero entender este tipo de pessoa.
Ao assistir, à algumas semanas atrás, um documentário sobre o genocídio armênio, fiquei barbarizado ao ver o depoimento de um dirigente do governo turco negando categoricamente o genocídio armênio. Ainda que tenha reconhecido que uma "grande tragédia" abateu-se sobre o povo armênio, demonstrou ficar extremamente incomodado com o uso da palavra genocídio, e afirmou que um enorme número de turcos, talvez superior ao de armênios, morreu, quando estes começaram a organizar revoltas e levantes contra o exército otomano (como se não tivessem o direito de se defender), o que vêm a ser uma deslavada e insidiosa mentira. O que diria Enver Pasha, assassinado por uma brigada de cavalarianos bashkires do exército vermelho, em agosto de 1922, e que, juntamente com Talaat e Djemal Pasha, foi um dos executores do genocídio armênio. Não sou a favor da violência, mas nesse caso, aí está um bom exemplo de homem que mereceu a morte, ainda que o preço pago por todo o sofrimento que casou tenha sido, de fato, muito pequeno. A verdade, dita de forma pura e simples, é que sentimentos nacionalistas dão vazão ao que há de pior e mais pérfido no ser humano: ver o seu semelhante como um inimigo, apenas por ser de uma raça, etnia, nação ou religião diferente. Nunca nada veio ou virá de bom em uma ideologia tão agressiva, espúria, desumana e insidiosa como o nacionalismo. Com certeza, nunca existiu em toda a história humana uma ideologia mais hostil, nociva e aviltante. É impossível apontar um único período na história em que o nacionalismo tenha produzido resultados como paz, fraternidade e prosperidade, afinal, essa é uma ideologia que serve apenas para fazer as pessoas odiarem umas às outras.
E teorias negatórias como estas estão sempre carregadas de tendenciosas motivações políticas e nacionalistas, especialmente estas três fantasiosas teorias absurdas, a Negação do Holodomor, a Negação do Holocausto e a Negação do Genocídio Armênio, além de estarem implicados, evidentemente, muitos outros fatores ideológicos malignos e depravados, que vêm a comprovar a destrutiva e infrutífera odiosidade que ideologias falaciosas são capazes de produzir, disseminando discórdias e dúvidas sobre fatos históricos muito bem comprovados, para atender aos egocêntricos interesses de agendas individualistas míopes, tendenciosas, sardônicas e desumanas, carregadas de imbecilidade, intransigência, parcial visão unilateral, e agressividade ativa e passiva. Eu não sou de compactuar com a banalização da vida, e não me associo com pessoas que adotam tal proceder, pois sem dúvida alguma posso afirmar, como qualquer pessoa no livre exercício pleno de suas faculdades mentais o faria, a irrefutável verdade fundamental, imutável e primordial, de que todos aqueles que negam a historicidade factual destas infames, horrendas e hediondas atrocidades são tão criminosos quanto aqueles que as perpetraram.

Colaboração Autor: Wagner Hertzog Ocupação: Escritor/ editor/ tradutor Cidade: Caxias do Sul UF: RS Foto: Holocausto Wikipédia

 

  Wagner-Hertzog

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Última modificação em Sexta, 12 Outubro 2018 13:49

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